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Product, Visual & Brand Designer

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Reconstruindo a confiança em um produto de crédito de 50 anos

Empresa

Itaú

Posição

Lead Product Designer

Produto

Limite da conta

Indústria

Banking

Plataforma

Mobile

O redesenho não veio de uma demanda. Veio da minha leitura de que a experiência estava destruindo confiança. Cliente que não confia não volta. A decisão mais impactante do projeto não foi de interface: foi mudar uma regra de processamento que o banco nunca havia questionado em cinquenta anos.

O Itaú Emps é o banco digital do Itaú para pequenos empreendedores. Fui o único designer na squad do Limite da Conta, herdeiro do cheque especial, com cinco décadas de desconfiança acumulada. Havia uma base expressiva de clientes com limite ofertado que nunca havia ativado o produto. Não por falta de necessidade de crédito. Por falta de confiança na experiência.


"Eu já usei cheque especial uma vez. Me ferrei. Nunca mais."

- Empreendedor, Entrevista de pesquisa de crédito, Itaú


A pesquisa de crédito do Itaú confirmava três confusões recorrentes: usuários acreditavam pagar só pelos dias excedentes ao bônus (na prática, os juros retroagem ao primeiro dia); não entendiam por que IOF e juros chegavam em datas separadas no extrato; e desconheciam que o produto oferecia crédito emergencial 24/7 sem aprovação.


Apresentei os dados primeiro para minha liderança de design, refinei o argumento, e levamos juntos para PM, tech e dados. A regra era deliberada: wireframe primeiro cria debate estético. Dado primeiro cria debate estratégico.


Quando expliquei a regra de retroatividade dos juros, PM e dev se surpreenderam: relataram que eles mesmos usavam o produto da maneira errada. Quando as pessoas que trabalhavam com o produto não entendiam como ele funcionava, não havia mais como argumentar que era problema de comunicação. Era falha estrutural. E a partir desse momento, houve consenso.


A hipótese central foi direta: empreendedores já sabem operar com cartão de crédito. Entendem fatura aberta e fechada, sabem que mês que vem tem um valor para pagar. Se eu conseguisse transferir esse modelo mental para o Limite da Conta, o produto deixaria de ser confuso. A hipótese foi validada nos testes. A fala que confirmou não foi "ficou mais bonito", foi "agora sei o que vou pagar e posso me organizar. Posso usar de novo sem medo."

Estrutura anterior. Nenhuma hierarquia, nenhum estado visual, nenhuma antecipação de custo.

1. Card principal: o mês como fatura aberta ou fechada: O ciclo mensal tratado como fatura de cartão: mês vigente, data de fechamento, status e conta completa: juros previstos, desconto do bônus ativo, total a pagar. O empreendedor vê o custo real antes de ser cobrado.

Card principal: sem uso (R$ 0), com bônus ativo (juros zerados, total R$ 20,64) e bônus expirado (R$ 200,27 visível antes do débito).

2. Card de bônus: progresso visual como alerta precoce: Uma barra de cinco segmentos preenchida a para dia de uso. Ao utilizar todos os cinco dias sem juros, o label muda de "Ativo" para "Expirado" e o texto explica o que acontece. Estados intermediários criam urgência progressiva sem depender de leitura ativa. Nos testes, a validação veio nas falas espontâneas: "parece o bônus da Vivo".

Card de bônus: disponível, ativo com 1 dia usado, e expirado, com texto explicativo sobre a retroatividade dos juros.

3. Débitos previstos: antecipar cobranças antes que apareçam no extrato: IOF e juros em datas diferentes, cada um com nome, data e valor, antes que o débito aconteça. Sem isso, clientes chegavam ao extrato confusos sobre as cobranças. Sem saldo, o próprio limite pagava os juros, criando um ciclo de endividamento invisível.

Seção de débitos previstos: IOF (2 de outubro) e juros (5 de outubro) com datas e valores separados antes do débito.

4. Histórico: o extrato de faturas do limite: Todos os ciclos mensais numa lista: valor cobrado, dias usados, status (aberto, debitado, fechado). A mesma lógica de consultar faturas anteriores do cartão, aplicada ao limite da conta.

Seção de débitos previstos: IOF (2 de outubro) e juros (5 de outubro) com datas e valores separados antes do débito.

5. Detalhe da cobrança: cada centavo explicado: Dois cards separados para IOF e juros, cada um com período de cálculo, dias em uso, taxa aplicada, desconto do bônus e total. A fatura completa do limite, com o mesmo nível de transparência que qualquer fatura de cartão oferece.

Seção de débitos previstos: IOF (2 de outubro) e juros (5 de outubro) com datas e valores separados antes do débito.

O maior desafio do projeto não estava na interface. Estava numa regra de processamento com décadas de existência. O cliente usava o limite de terça a sexta, depositava no sábado achando que estava saindo do negativo, e o banco só processava a compensação na segunda. Resultado: 7 dias de uso, bônus expirado, juros retroativos sobre todos os dias. Não era problema de comunicação: era falha de produto.


Escalamos para liderança de crédito e riscos e criamos um grupo de trabalho com engenharia. Por ser piloto, com base de clientes menor e controlada, o time de crédito entendeu que transparência agora era retenção depois. O cliente que deposita no sábado sai do limite no sábado. A decisão mais impactante do projeto foi iniciada pelo processo de design.


O Contact rate caiu de 0,21% para 0,08%: o produto ficou autoexplicativo. A carteira cresceu de R$ 5,6MM para R$ 9,3MM. Mais empreendedores confiaram o suficiente para usar crédito pela primeira vez. E a ativação em 7 dias subiu de 17% para 24,4%. O Limite da Conta virou a primeira experiência de crédito do empreendedor no Emps, não uma opção que ele evitava por precaução.

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