Um único número: a home do app de saúde preventiva
Empresa
Centeni
Posição
Founding Designer
Indústria
Healthtech
Plataforma
Mobile
Desktop
Quando saí do Itaú Empresas para me juntar à Centeni como founding designer, a empresa tinha uma tese muito bem definida e quase nenhum produto. Os founders sabiam exatamente o que queriam mudar na medicina preventiva brasileira. O que eles não tinham era a interface entre essa tese e as pessoas que precisavam dela.
O problema não estava na medicina. Estava no que acontece depois do exame. Quando você recebe um PDF de resultado de exames de laboratório, é praticamente impossível entender como está a sua saúde.
Dezenas de páginas em preto e branco. Valores numéricos sem contexto. Nenhum resumo, nenhuma hierarquia, nenhuma resposta para a pergunta mais simples: estou bem? A Centeni não nasceu para melhorar o PDF. Nasceu para eliminar a necessidade de entendê-lo.
O produto é uma jornada de cinco etapas. Na primeira, um formulário de saúde completo mapeia objetivos, histórico de doenças, hábitos e nutrição. Em paralelo, o concierge da Centeni agenda os exames de sangue e vai até a casa do paciente: parceiros incluem Fleury, Alta Diagnósticos, Einstein e Sírio-Libanês, com cobertura em todo o Brasil.

Formulário de saúde - seleção de objetivos de saúde do usuário.
Na segunda etapa, os resultados chegam num dashboard com histórico temporal, faixa ideal e explicação em linguagem simples de cada biomarcador.

Dashboard de exames - exibição dos resultados dos exames.

Dashboard de exames - exibição dos biomarcadores de saúde.
Na terceira, um médico real escreve um protocolo personalizado: com nome, CRM e foto visíveis: respondendo três perguntas que nenhum PDF responde: como estou, o que priorizar, o que fazer.

Protocolo de saúde - exibição dos medicamentos e suplementos.
A decisão mais difícil foi o que colocar na tela inicial do app. O produto tinha 87 biomarcadores, um protocolo médico, um assistente de IA. Por que mostrar só um número?
A home deveria ter um único efeito: fazer o usuário querer tirar print e compartilhar com alguém.
A referência foi o Spotify Wrapped. A ideia era que a home fosse um card compartilhável, uma informação tão pessoal que a primeira reação fosse mostrá-la para alguém. Esse alguém se tornaria um potencial usuário. A idade biológica era o candidato óbvio: concreta, pessoal, surpreendente.

Home - exibição da idade biológica.

Home - exibição da idade biológica.
A tela de exames foi onde mais iteriei. Minha primeira solução foi um gráfico de rosquinha. Faz sentido: é o formato mais comum para representar proporções. Mas parecia um dashboard corporativo de BI, não um produto de longevidade. Descartei e continuei iterando até chegar no gráfico de barras onde só o topo tem cor: uma linha horizontal fina que indica ótimo, normal ou fora da faixa. A leitura é imediata pela altura das barras. A elegância vem da contenção cromática.

Dashboard de exames - exibição dos resultados dos exames.
Cada biomarcador tem uma página própria: histórico temporal, valor atual, faixa de referência, e uma explicação em linguagem simples do que é esse marcador, por que importa e o que faz esse número flutuar. Conteúdo escrito com o time médico. Estrutura definida com PM e médicos.

Dashboard de exames - detalhe dos biomarcadores de saúde.
"Fiquei com vontade de cuidar mais ainda da minha saúde." - paciente durante o piloto
Essa frase não é avaliação de interface. É evidência de mudança de comportamento. O design havia funcionado não como camada visual sobre dados médicos, mas como sistema de educação que gerava agência no paciente.
O protocolo é onde o paciente lê o que seus resultados significam como um sistema. Não marcador por marcador, mas cardiometabólico, hormônios, metabolismo e toxinas. Estrutura definida com PM e time médico: "Como estou", "O que priorizar", "O que fazer". Três perguntas que nenhum PDF de laboratório responde.

Protocolo de saúde - exibição dos medicamentos e suplementos.
Três casos clínicos resumem o que o produto faz quando funciona. Um homem de 67 anos com baixa energia: exames revelaram testosterona clinicamente baixa, reposição iniciada, energia restaurada. Um homem de 31 com burnout e mais de 25 kg de peso ganho: diagnóstico revelou disfunção metabólica, não falha de estilo de vida. GLP-1 iniciado, 13 kg de perda em 90 dias. Uma mulher de 36 anos, atleta amadora com fadiga persistente tratada incorretamente com testosterona: dados revelaram testosterona perigosamente elevada por tratamento desnecessário. Interrompido. Ferro IV restaurou energia e evitou risco hormonal de longo prazo.
O número que mais importa não foi de engajamento. Foi comportamento. 79% dos pacientes mudaram algo na própria vida após receber o protocolo. O caso da mulher de 36 anos resume o que esse produto pode fazer quando funciona: a interface não curou ninguém, mas tornou possível que o médico certo visse os dados certos e tomasse a decisão certa no momento certo. Esse é o trabalho do design aqui.

Dashboard de exames - exibição dos resultados dos exames.
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