De instrumento de crédito a produto de proteção
Empresa
Itaú
Posição
Lead Product Designer
Produto
Limite da conta
Indústria
Banking
Plataforma
Mobile
Um produto ativado automaticamente que muita gente queria cancelar. O Limite da Conta é ativado na abertura de conta, sem que o cliente solicite. Um número expressivo de clientes ia direto ao aplicativo cancelar, logo após a abertura. A liderança de produto interpretou como problema de fluxo e propôs adicionar fricção ao caminho de cancelamento. Eu discordei do diagnóstico.
O problema não estava no fluxo. Estava no enquadramento. Clientes que cancelavam logo após a abertura tinham histórico de endividamento com crédito rotativo. Não era impulsividade: era memória. Tornar o cancelamento mais difícil não mudaria essa percepção. Mudaria apenas a experiência de quem tinha um motivo legítimo para sair.
"A questão não era dificultar o cancelamento. Era mudar o que o cliente entendia que estava cancelando."
O benchmark que veio de fora do setor financeiro. Mapeei produtos que as pessoas mantêm ativos sem usar com frequência, mas que não cancelariam nunca: antivírus, seguro de celular, seguro de carro. O valor desses produtos não está no uso cotidiano, está na disponibilidade para o momento em que tudo aperta. O Limite da Conta é exatamente esse produto, mas ninguém nunca havia apresentado dessa forma.
O cliente via um produto de crédito rotativo, categoria que carrega o peso histórico do endividamento, e reagia com o único instinto que fazia sentido para ele: cancelar antes que fosse tarde.

Antes: benefícios genéricos do produto. Depois: proteções ativas nomeadas que seriam desativadas com o cancelamento.
Duas camadas de reposicionamento no fluxo. Primeiro, a linguagem: saímos de "Tem certeza?" para "Cancelar pode deixar você desprotegido.", acompanhado de proteções nomeadas e específicas que seriam desativadas junto com o cancelamento.
Segundo, a estrutura: cancelar o limite não era apenas remover um produto de crédito, era desativar um conjunto de proteções ativas que deixaria a empresa mais exposta.

O fluxo completo da nova experiência: enquadramento como proteção, listagem das proteções ativas e confirmação do cancelamento permanente.
"Adicionar fricção a um fluxo de cancelamento é uma resposta para um problema de usabilidade. O problema aqui era de percepção de valor."
Em vez de pedir aprovação para uma ideia, propus evidência. A resistência interna era compreensível: o reposicionamento era conceitual e difícil de avaliar sem dados. Propus um teste A/B de um mês com uma amostra representativa da base. Se a métrica não se movesse, a abordagem estava errada. Transformar uma discordância sobre estratégia em uma pergunta que os dados podem responder foi tão importante quanto qualquer decisão visual do projeto.
O churn passou de 0,36% em janeiro para 0,25% em junho de 2025. Quando o cliente entende o que está cancelando de verdade, não um produto de crédito que ele teme, mas uma proteção que pode ser necessária, uma parte significativa decide ficar. Não porque o design dificultou a saída. Porque o design finalmente explicou o que estava em jogo.
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